Vivian achava que a vida tinha sentido quando recebia um elogio acerca da sua aparência. No fundo, ela se via escravizada pela opinião alheia. Trabalhava como atendente de uma loja de roupas.
Durante a pandemia, passou a ter vendas mais online. O que, embora num cenário caótico que vivíamos, aparecia impecável, afirmando que tudo ficaria bem. E, mesmo as pessoas confinadas e sem perspectivas de utilizar o que ela oferecia, impulsionou suas vendas e se destacou como a melhor das vendedoras online. Após este período triste que todos vivenciamos, ela teve uma promoção para supervisionar a rede de lojas e efetuar treinamentos para novas vendedoras.
Eram tempos sem descanso ou pensar em férias, focada na sua imagem que estava sendo veiculada tanto nas campanhas de marketing quanto nos treinamentos das vendedoras das lojas.
Isso não passava aos demais, mas quando chegava em casa estava esgotada. O fato de ter que estar sempre de bom humor era, no fundo, uma vida de fachada. A imagem era impecável por fora, mas dentro se via destruída de sua essência e força vital, porque as pessoas viam somente seu exterior. Mas ela sabia bem o que via quando se olhava sem maquiagem no espelho da sua casa: um olhar abatido, sem forças e tomada de um cansaço mental e físico.
Num dia, saiu para tomar café da tarde, um hábito corriqueiro, talvez um pequeno respiro. Nisso, na cafeteria de costume, sentou-se sozinha, no fundo, tentando voltar o ânimo perdido para enfrentar novos treinamentos e lives da empresa. E uma senhora se aproximou com um pequeno panfleto, o título: Olhe a vida além dos teus olhos! Não era nada religioso, apenas algum texto motivacional simples que ela entregou e disse apenas:
-Moça, estava te observando de longe! Vi, se posso te dizer, com o olhar muito entristecido. Leia isso, creio que te fará bem!
Vivian encheu os olhos d’água. Aquilo era quase como um pedido de socorro que fora atendido. Agradeceu e, após enxugar seus olhos, começou a ler que, em resumo, o texto iniciava assim:
“A Borboleta: orgulhosa de suas asas!
Havia uma história que uma lagarta sonhava em ser Borboleta. Só que teria o tempo da metamorfose. Ela vivia ansiosa, triste e querendo não aproveitar sua vida presente. Porque achava que só seria feliz quando suas asas tomassem forma e os outros vissem o colorido delas. Passaram três semanas e surgiram suas asas. A Borboleta voava, inicialmente muito feliz. Com o tempo, a falta de chão firme a deixava insegura. E por mais bonita que fossem suas asas, aquilo não a fazia feliz de fato. Uma amiga dela, a Mariposa, um dia, vendo seus olhos entristecidos, deu um conselho à amiga: – Enquanto tu ficares escrava pela beleza de tuas asas, sempre ficará com o teu olhar comprometido. E não verá beleza em mais nada nessa vida! Não são as asas que tu possuis que têm que ser mais belas. E, sim, estar bonito no seu interior! Não olhe para fora. O poder está em olhar para dentro de si!
E aquilo mudou o jeito da Borboleta de encarar a sua vida!
Moral da história: Nossa visão física é limitada. Não podemos ver a vida em sua plenitude. Vivemos em tempos em que a aparência vale mais que nosso interior. E talvez a visão que muito nos julgue seja a exterior. Não se prenda nisso. Olhe o seu interior e não se fixe no que os seus olhos se detém, pois eles podem te enganar o seu caminho. Por vezes passamos felizes e impecáveis por fora e dentro existe nosso caos. Se respeite, cuide da sua vida com mais amor. Não se encha de obrigações, por mais que elas pareçam te dar alegria. Tenha tempo de qualidade de vida. ”
Vivian entendeu a mensagem dada por aquela senhora naquele pequeno panfleto. Não precisava sempre estar bonita, impecável, nem no seu trabalho. O autorrespeito a faria ter inclusive mais fôlego para realizar de forma melhor. Porque não era mais como os outros a viam que importava e sim como ela queria ser vista para si. A partir de ler aquela mensagem, mudou sua forma de conduzir tudo que era encarregado na empresa, implementando seu jeito de ser e inclusive se libertou para vestir o que fosse mais confortável para si. As cobranças ficaram menores consigo, o fardo diminuía, agora ela tinha olhos mais de amor consigo e estava abrigada e protegida além dos olhos dos outros!


