Fazia tempo que Luíza queria ouvir essa frase: — Tu estás de férias! E ela: — Sim!
Aquele ano foi conturbado, ela no final sentia que só era o pó e mais nada. O que ela mais queria era ntrar em férias. Mas o que faria durante este tempo? Uma de suas primeiras providências foi desconectar-se de tudo. Ficar offline por no mínimo trinta dias.
Não queria saber que o celular mandasse mais na vida dela. Queria descansar a mente, renovar o olhar e relaxar de verdade. E outra providência era escolher um local para passar bons dias longe de casa. Então, agora era partir para organizar as coisas em casa, marcar o local da hospedagem, fazer as malas e ir para a estrada.
Luíza estava focada em fazer este ano ser diferente de todos os outros. Porque ela sabia que, se não desligasse do mundo, não iria retornar com a força toda ao seu trabalho quando suas férias acabassem de verdade.
Era preciso mudanças e já tinha observado que o maior obstáculo era o excesso de conexão. Tinha a parte social: seus amigos e família, mas o que deixava ela mais online era o seu lado profissional.
Em seus planos: quinze dias viajando e só utilizando o celular para se atualizar de alguma notícia ou situação que tivesse que resolver de fato. De resto, nada de redes sociais, nem espiadas, postagens ou qualquer interação. E, ela cumpriu isso à risca.
O que, no final daqueles dias, Luíza estava sentindo uma leveza na alma, liberdade no seu peito, calma para fazer qualquer atividade diária. Parecia que o relógio andava com 0 ponteiros lentos. Conseguia ouvir o cantar dos pássaros ao amanhecer e, se tivesse um grilo em casa dando o ar da graça ao anoitecer, eram os sons preferidos dela, muito mais que os persistentes toques frenéticos do seu celular que eram sua sinfonia diária.
Conseguiu finalmente, esse ano, quando retornou, dizer de peito aberto que descansou. E, no fundo, constatou que muito do seu estresse não era o trabalho em si, e sim aquela dependência invisível e maçante que se concentrava numa vida imersa em muitas telas.
E estar de férias para Luíza desde aquele ano, que tomou essa decisão bem radical de ficar offline, passou a ser um hábito que incorporou ao seu cotidiano. Quando o nível de exigências aumentava, ela já sabia o que fazer: desconectar de tudo e buscar aquele mesmo conforto prazeroso que as suas últimas férias lhe proporcionaram, porque ter uma vida era além do social, do profissional e ela sabia: só temos uma!


