A batalha diária de Isaura

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Isaura, vivia de forma enlouquecida, tinha três empregos para dar conta de cuidar dos seus dois filhos menores: Israel, de quatro anos e Júlia, de doze anos. O pai das crianças havia abandonado a família e deixado ela com os filhos pequenos.
Então, o menor ia para creche que passava o dia, já a menina estudava a tarde e de manhã a Avó Clarice ficava cuidando e inclusive os dois a noite quando a mãe estava no terceiro emprego. As despesas eram muitas: aluguel, alimentação, vestuário, farmácia e tudo que envolvia as crianças.
Isaura de manhã trabalhava na faxina numa loja central, à tarde limpava como autônoma por semana casas de pessoas conhecidas e a partir das 19h atendia junto a cozinha de uma lancheria no centro até as 22h. Chegava em casa morta de cansada, dava um beijo nos filhos, tomava um banho, aprontava um jantar e acordava cedo no outro dia para outra jornada.
O único dia da semana que a família se reunia mais era aos domingos, onde Isaura passava o dia em casa e só saía à noite para dar atendimento na cozinha da lancheria.
Conhecida por seu sorriso largo e alto astral, geralmente com seus fones de ouvido ligados com suas músicas prediletas. Ela levava a vida de forma leve, embora seu fardo fosse bem pesado.
Quando via os filhos dormindo, bem abrigados e de barriguinha cheia era o alívio para o coração daquela mãe, uma mulher extremamente batalhadora.
Num dia normal em um dos seus serviços, nem pensava em fazer nada de especial, a colega/amiga de cozinha Ana, arruma uma homenagem da turma com direito a bolo, salgados e doces. E para completar sua mãe Clarice e os filhos Israel e Júlia vieram levando flores e um presente já que era seu aniversário e há anos nem comemorar fazia parte mais da sua vida, de fato não teria condições de se dar esse luxo.
A amiga Ana destacou que quem dera metade das mulheres que conhecia tivessem o pique e alegria, assim como a obstinação dela.
A batalha de Isaura seguiu, mas assim que criou seus filhos na mesma missão que muitas mulheres corajosas assumem quando se veem sozinhas diante a vida e sua recompensa ver eles bem encaminhados e trilhando os mesmos passos que o exemplo da mãe deu a eles!

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