{"id":34993,"date":"2024-10-28T09:41:47","date_gmt":"2024-10-28T12:41:47","guid":{"rendered":"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/?p=34993"},"modified":"2024-10-28T09:43:38","modified_gmt":"2024-10-28T12:43:38","slug":"o-andarilho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/index.php\/2024\/10\/o-andarilho\/","title":{"rendered":"O andarilho"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"cacap-conteudo\" style=\"float: right;clear: both;\" id=\"cacap-1857181785\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/netmax_internet\/\" aria-label=\"240821-Netmax\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax.jpg\" alt=\"\"  srcset=\"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax.jpg 1080w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-300x150.jpg 300w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-1024x513.jpg 1024w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-768x385.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" width=\"800\" height=\"541\"   \/><\/a><\/div><br style=\"clear: both; display: block; float: none;\"\/><p>Havia muito mist\u00e9rio em torno da vida daquele homem. A cidade pacata de Santa Tereza, a pra\u00e7a central era o lugar preferido do Andarilho e seu fiel companheiro o Rapadura. Um c\u00e3o que o acompanhava, os dois figuras cativas locais.<br>A rotina di\u00e1ria era quase a mesma: seis da manh\u00e3 ia \u00e0 padaria de Seu Roberto, um p\u00e3o e caf\u00e9 quente eram servidos. Meio-dia um marmitex da Dona Dalva e j\u00e1 doavam um para a noite. Garantindo assim, suas tr\u00eas refei\u00e7\u00f5es.<br>Sua hist\u00f3ria de vida era muito discutida entre os moradores. Uns diziam que ele havia aparecido h\u00e1 mais de cinco anos e que ele era muito rico. Outros que ele passara por uma situa\u00e7\u00e3o traum\u00e1tica que havia perdido esposa e filho num acidente e sa\u00edra vagando. Outros que era um homem muito culto, que trabalhara num multinacional e viajara pelo mundo e foi parar nas ruas.<br>Mas, s\u00f3 falando com Jo\u00e3o, assim ele dizia ser seu nome, para ver que ele era culto, cheio de hist\u00f3rias. S\u00f3 se recusava terminantemente ir para um abrigo ou qualquer maior conforto que uma alma generosa lhe alcan\u00e7asse.<br>Invocado com aquela situa\u00e7\u00e3o, Manoel, dono de um posto de gasolina, resolve investigar melhor. Deveria ter algum dado que ligasse ao seu passado. Embora o Andarilho falasse sempre:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; O passado est\u00e1 morto! Vivo meu presente, nesta liberdade toda!<br>E ele parecia realmente feliz, carregando somente uma sacola, com uma caneca pendurada, uma garrafa d&#8217;\u00e1gua, duas mudas de roupas e Rapadura, seu amigo peludo que o seguia sempre.<br>Manoel n\u00e3o se deu por vencido, Jo\u00e3o escorregou um dado que fez ele fazer algumas liga\u00e7\u00f5es no outro dia. Disse: &#8220;Minha Aurora e meu Pedrinho, nunca vou esquecer: BR- 497, aquela curva maldita! Porque tanta chuva! Porque n\u00e3o parei antes para comprar a rapadura do guri, no Posto do Osvaldo!<br>Isso foi estopim: Manoel conhecia Osvaldo, dono de uma rede de Postos. Ligou at\u00e9 achar o amigo e relatou o fato.<br>E a\u00ed veio tudo \u00e0 tona: Jo\u00e3o foi realmente um grande homem de neg\u00f3cios, viajava pelo mundo. Era casado com Aurora e tiveram o filho Pedro. Os perdeu num grave acidente, pr\u00f3ximo ao Posto do Osvaldo. E ningu\u00e9m sabia seu paradeiro, sumiu no mundo poucos dias ap\u00f3s o fato.<br>Na pra\u00e7a, dias ap\u00f3s, chega Joana e Joaquim, irm\u00e3os de Jo\u00e3o, se emocionam ao ver ele naquele estado:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Mano, viemos te buscar para casa!<br>Jo\u00e3o enche olhos d&#8217;\u00e1gua, parecia que sa\u00edra do seu mundo e voltara ao passado. Eles se abra\u00e7am e eles os levaram dali.<br>Tr\u00eas anos adiante, chega ao Posto do Manoel o antigo Andarilho: Jo\u00e3o dirigindo seu carro e ao lado o Rapadura. Cumprimenta o amigo, agradece por tudo que ele fez para enfrentar sua dor. Sai dali, passa na padaria do Roberto, ele toma um caf\u00e9 quente e p\u00e3o e pede uma salsicha para o Rapadura. Vai \u00e0s quentinhas, compra duas para viagem e v\u00ea a Dona Dalva e, volta a sua terra natal.<br>Centro de conven\u00e7\u00f5es de uma grande cidade, o Andarilho faz palestra de como dirigir um neg\u00f3cio, no final sempre destaca sua experi\u00eancia de vida dizendo:<br>&#8220;Andei tempos, perdido! Nestas andan\u00e7as conheci muita gente. Vivi muitas coisas boas e ruins. E, por fim, resgatei a minha hist\u00f3ria. Ent\u00e3o, seja no colch\u00e3o macio que hoje durmo ou no papel\u00e3o das ruas, o meu passado veio me buscar no presente e hoje tenho esperan\u00e7a de um futuro!&#8221;<br>Jo\u00e3o \u00e9 um empreendedor, com mais de 100 funcion\u00e1rios, que o elogiam por sua simplicidade e humanidade e sempre destaca: &#8220;Isso adquiri dos tempos de Andarilho, no pouco descobri o que mais se precisa para ser feliz de verdade, al\u00e9m dos bons amigos.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Havia muito mist\u00e9rio em torno da vida daquele homem. A cidade pacata de Santa Tereza, a pra\u00e7a central era o lugar preferido do Andarilho e seu fiel companheiro o Rapadura. 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