{"id":35829,"date":"2024-12-16T10:03:20","date_gmt":"2024-12-16T13:03:20","guid":{"rendered":"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/?p=35829"},"modified":"2024-12-16T10:03:25","modified_gmt":"2024-12-16T13:03:25","slug":"o-ultimo-mate-na-pitangueira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/index.php\/2024\/12\/o-ultimo-mate-na-pitangueira\/","title":{"rendered":"O \u00faltimo mate na Pitangueira!"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"cacap-conteudo\" style=\"float: right;clear: both;\" id=\"cacap-2850290827\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/netmax_internet\/\" aria-label=\"240821-Netmax\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax.jpg\" alt=\"\"  srcset=\"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax.jpg 1080w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-300x150.jpg 300w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-1024x513.jpg 1024w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-768x385.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" width=\"800\" height=\"541\"   \/><\/a><\/div><br style=\"clear: both; display: block; float: none;\"\/><p>S\u00e9rgio \u00e9 o terceiro de uma fam\u00edlia de cinco irm\u00e3os: Sandra, Suzana, Sindival e Suelen. Foram todos criados no meio rural, pelos pais Seu Severino e Dona \u00darsula. A propriedade, cerca de uns dez hectares, era pequena, havia alguma planta\u00e7\u00e3o, criavam galinhas e porcos, uma vaca de leite, a Mimosa e um cavalo para lida no campo. A casa era de material, com \u00e1rvores em torno, um arvoredo, com p\u00e9s de bergamota, pitanga, laranja e lim\u00e3o.&nbsp;<br>Seu pai tinha um costume, depois da lida, pegava o r\u00e1dio a pilha, cevava um mate, n\u00e3o tinha t\u00e9rmica, era chaleira, esquentava a \u00e1gua e ia para ver o p\u00f4r do sol, nos dias de c\u00e9u claro, sentado no seu banco, embaixo daquela pitangueira. Enquanto isso, \u00darsula terminava sua janta.&nbsp;<br>Geralmente, a m\u00e3e de S\u00e9rgio fazia a melhor refei\u00e7\u00e3o no jantar, sa\u00eda daquele fog\u00e3o \u00e0 lenha: uma galinha com arroz, salada de alface e tomate colhidos da sua horta temperados com os lim\u00f5es do p\u00e1tio. E j\u00e1 mandava uma das gurias espremer uns para um suco bem gelado, servidos nas canecas de alum\u00ednio para enfeitar seu jantar.<br>Que s\u00f3 era superado quando era dia de feij\u00e3o novo, com pele de porco, arroz com lingui\u00e7a e tinham de sobremesa figada morna com leite bem gelado tirado de manh\u00e3 da Mimosa.<br>A inf\u00e2ncia de S\u00e9rgio e seus irm\u00e3os foram regados a isto, mas chegou o tempo em que sua barba estava crescendo e foi chamado pelo alistamento do Ex\u00e9rcito. Foi ao Batalh\u00e3o para as inspe\u00e7\u00f5es de costume, que teria duas decis\u00f5es, em que era aceito para servir ou dispensado do servi\u00e7o militar e voltava para casa dos pais.<br>N\u00e3o teve op\u00e7\u00e3o, foi chamado ao servi\u00e7o militar e sua rotina agora era outra. No seu primeiro retorno \u00e0 casa paterna, de coturnos, roupa militar, cabelo e barba feita, chega \u00e0 porteira, avista seu Velho, embaixo da Pitangueira, tomando mate e ouvindo seu r\u00e1dio. O pai, ao v\u00ea-lo, diz: &#8211; Guri, o que fizeram contigo? Raspou teu bigode, tradi\u00e7\u00e3o da nossa fam\u00edlia. Tu est\u00e1s magro igual a um palito. E nem cabelo tem mais nessa cabe\u00e7a? Vai l\u00e1 dentro e pede para tua m\u00e3e refor\u00e7ar a janta. Nos dias em que ficar aqui, vai ter que melhorar esta cara.&nbsp;<br>O filho ficou rindo, entendeu que era brincadeira do pai e pediu: \u00abAntes me serve um mate, que estou com saudades de ti e do nosso canto do chimarr\u00e3o.\u00bb E ali seguiram at\u00e9 o sol cair e a Suzana gritar que a janta estava pronta. Uma mandioca atolada, com carne de porco, feij\u00e3o novo com lingui\u00e7a, saladas que a m\u00e3e fez da sua horta e claro o bom suco de lim\u00e3o. Hoje, como era uma noite especial, tinha creme de ovos, servidos com doce de p\u00eassego de sobremesa.<br>Resultado da comilan\u00e7a, S\u00e9rgio dormiu que nem viu o galo cantar. Acordou perto do almo\u00e7o, no fundo, saudades dos mimos dos pais, ver seus irm\u00e3os, diferente da vida puxada que estava levando no Ex\u00e9rcito.<br>Embora um ano servindo, nunca tinha aprendido tanta coisa, mas por melhor que fosse a comida feita no Batalh\u00e3o, nada se comparava \u00e0 Dona \u00darsula e aos mates servidos pelo seu pai.<br>Volta ao Ex\u00e9rcito, uma liga\u00e7\u00e3o urgente, vai atender, fala com seus superiores, pede dispensa, algo aconteceu, seu velho pai se fora, chega \u00e0 propriedade, tudo parecia triste, olha para pitangueira, sol se pondo, banco vazio, era hora do chimarr\u00e3o.<br>S\u00e9rgio segue carreira militar, quando folga vai ver sua m\u00e3e, ainda a comida \u00e9 farta e acolhedora, mas no banco embaixo da Pitangueira ningu\u00e9m toma mais mate ali, ali \u00e9 a cadeira do pai.&nbsp;<br>Numa destas visitas olha, seus irm\u00e3os se emocionam, uma luz ao entardecer ilumina o banco e eles entendem, \u00e9 seu velho pai dizendo: \u00abFilhos, estou bem.\u00bb \u00abE daqui sigo ajudando voc\u00eas e a m\u00e3e, fiquem tranquilos\u00bb. Retorna a casa, Suzana chama que a m\u00e3e colocou a janta. S\u00e9rgio diz aos irm\u00e3os: \u00abNingu\u00e9m toca naquela Pitangueira!\u00bb \u00abAquele banco sempre ser\u00e1 do \u00faltimo mate do nosso pai!\u00bb<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>S\u00e9rgio \u00e9 o terceiro de uma fam\u00edlia de cinco irm\u00e3os: Sandra, Suzana, Sindival e Suelen. Foram todos criados no meio rural, pelos pais Seu Severino e Dona \u00darsula. 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