{"id":35974,"date":"2024-12-30T10:13:43","date_gmt":"2024-12-30T13:13:43","guid":{"rendered":"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/?p=35974"},"modified":"2024-12-30T10:13:49","modified_gmt":"2024-12-30T13:13:49","slug":"o-colecionador","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/index.php\/2024\/12\/o-colecionador\/","title":{"rendered":"O colecionador"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"cacap-conteudo\" style=\"float: right;clear: both;\" id=\"cacap-756114376\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/netmax_internet\/\" aria-label=\"240821-Netmax\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax.jpg\" alt=\"\"  srcset=\"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax.jpg 1080w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-300x150.jpg 300w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-1024x513.jpg 1024w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-768x385.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" width=\"800\" height=\"541\"   \/><\/a><\/div><br style=\"clear: both; display: block; float: none;\"\/><p>Ivan, quando era pequeno, queria muito ter um carrinho que viu numa vitrine da loja do centro da sua cidade. Sua m\u00e3e dissera que n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de lhe dar, porque estavam com muitas despesas. Levou tempo, quando chegou da escola, num pacote que estava em cima da sua cama, abriu e, para sua surpresa, estava ali o carrinho igual ao que viu na vitrine.<br>Rosa era uma mulher muito determinada, explicou ao filho: \u00abTu lembras quando estava fazendo aquelas encomendas da Dona Rita? Pois \u00e9, isso resultou no teu carrinho. Cuida bem, meu filho, que custou caro e a m\u00e3e n\u00e3o pode toda hora comprar outro.\u00bb<br>Essa era a lembran\u00e7a do presente mais bonito que teve na sua inf\u00e2ncia, que marcou a vida de Ivan.<br>Agora homem crescido, barba na cara, morando sozinho, trabalhando junto ao escrit\u00f3rio como auxiliar de servi\u00e7os gerais, vida corrida, or\u00e7amento puxado, mas tinha um passatempo: colecionar carrinhos de v\u00e1rios modelos e cores, no estilo daquele que Dona Rosa lhe presenteou quando pequeno.<br>O lugar que eles ocupavam no seu apartamento era especial, tinha v\u00e1rias prateleiras, iluminado \u00e0 noite com luz de led. Quem visitava Ivan perguntava de onde surgiu aquele desejo de ter sua cole\u00e7\u00e3o. J\u00e1 tinha a explica\u00e7\u00e3o completa de como come\u00e7ou este desejo de juntar aquela quantidade de carrinhos.<br>Aproximava-se o Natal, diferente de muitos, Ivan j\u00e1 n\u00e3o comemorava como antes. Dona Rosa j\u00e1 tinha partido h\u00e1 alguns anos, filho \u00fanico, os tios moravam noutra cidade, o m\u00e1ximo que fazia era ligar para desejar boas festas. E, na noite de Natal, assistir \u00e0 programa\u00e7\u00e3o da televis\u00e3o e pedir que a data passasse o mais r\u00e1pido poss\u00edvel.<br>Isso mexia com emo\u00e7\u00f5es suas profundas, pois sua m\u00e3e fazia um bolo de frutas, uma carne assada, salada e um arroz branco, que era servido numa mesa caprichada. E para sobremesa, doce de figo em calda e pudim de leite. Nem era por presente, sempre compravam uma lembrancinha, era o momento em que aquela pequena fam\u00edlia se reunia e fazia uma prece sempre \u00e0 meia-noite.<br>Ivan, no fundo, perdera aquele costume, se fechou literalmente para as festas natalinas, n\u00e3o tinha feito ainda sua fam\u00edlia e aquilo n\u00e3o fazia mais sentido. S\u00f3 preservou um costume para lembrar a m\u00e3e, comprar mais um carrinho para sua cole\u00e7\u00e3o e o que era na v\u00e9spera de Natal tinha significado especial.<br>Foi \u00e0 loja, corre-corre, filas imensas, ele com o carrinho especial para sua cole\u00e7\u00e3o. Paga no caixa pede para presente e vai passar antes no mercado e depois se entoca em casa, esperando o tempo passar para que o Natal virasse para o dia 26 de dezembro. E a\u00ed o clima seria outro nas festas de ano novo.<br>Sinaleira fecha uma fila de carros, pessoal nervoso, uns come\u00e7am a buzinar. Nisso, uma batida na janela do seu carro. Olha, um menino de uns oito anos, olhar profundo com um papel escrito em letras grandes: &#8211; Me ajude a realizar meu sonho, quero ganhar um carrinho de Natal!<br>Aquilo mexeu fundo em Ivan, foi nas suas mem\u00f3rias quando parou na frente daquela vitrine e pediu insistentemente \u00e0 sua m\u00e3e e ela dissera que n\u00e3o podia. Num ato quase n\u00e3o pensado, Ivan abaixa o vidro do carro e diz: &#8211; Hoje tu est\u00e1s realizando teu sonho! Feliz Natal! Entrega o pacote ao menino, ele sorri e senta na cal\u00e7ada para abrir o pacote e festeja com o carrinho que ganhou.<br>Isso emociona Ivan, que teve de arrancar o carro porque estava trancando o tr\u00e2nsito. Chega em casa, olha sua cole\u00e7\u00e3o, lembra que o carrinho que comprou acabou de entregar ao menino, sorri. Liga para uma padaria, pede que fa\u00e7am um bolo de frutas, se tem doce de figos, encomenda um assado e pudim, pede para entregarem em casa. Arruma a mesa, faz uma prece, quase meia-noite, faz a ceia sozinho, agradece por tantas d\u00e1divas ter recebido na vida, lembra-se da sua m\u00e3e.<br>E este foi o primeiro de muitos em que Ivan se reconciliou com o verdadeiro esp\u00edrito do Natal, que \u00e9 a fraternidade e as liga\u00e7\u00f5es deixadas por sua fam\u00edlia! Agora incorporou um novo h\u00e1bito, nos natais seguintes, n\u00e3o compra s\u00f3 um carrinho, s\u00e3o v\u00e1rios que distribui a meninos, como forma de realizar mais sonhos, assim como um dia no sacrif\u00edcio sua m\u00e3e Rosa o dera de presente.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ivan, quando era pequeno, queria muito ter um carrinho que viu numa vitrine da loja do centro da sua cidade. Sua m\u00e3e dissera que n\u00e3o tinha condi\u00e7\u00f5es de lhe dar, porque estavam com muitas despesas. 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