{"id":38052,"date":"2025-03-24T09:26:15","date_gmt":"2025-03-24T12:26:15","guid":{"rendered":"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/?p=38052"},"modified":"2025-03-24T09:26:19","modified_gmt":"2025-03-24T12:26:19","slug":"onofre-o-porteiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/index.php\/2025\/03\/onofre-o-porteiro\/","title":{"rendered":"Onofre, o porteiro"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"cacap-conteudo\" style=\"float: right;clear: both;\" id=\"cacap-4136009997\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/netmax_internet\/\" aria-label=\"240821-Netmax\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax.jpg\" alt=\"\"  srcset=\"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax.jpg 1080w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-300x150.jpg 300w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-1024x513.jpg 1024w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-768x385.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" width=\"800\" height=\"541\"   \/><\/a><\/div><br style=\"clear: both; display: block; float: none;\"\/><p>Onofre, porteiro h\u00e1 mais de vinte anos, sempre no mesmo pr\u00e9dio, j\u00e1 tinha visto um pouco de tudo acontecer naquele local. Seu per\u00edodo de trabalho oscilava entre turnos diurnos e noturnos, era substitu\u00eddo por Sandro, mais jovem no emprego, que tinha outra forma de agir com os cond\u00f4minos daquele edif\u00edcio tradicional da Rua Prestes, em sua cidade. Rodeado ainda de \u00e1rvores antigas, o clima no entorno era bem familiar, apenas um pequeno mercado na esquina, a vizinhan\u00e7a era tranquila. No total, sete andares, em cada apartamento amplo, com tr\u00eas quartos, dois banheiros, sala, cozinha, um hall e sacadas que tinham no\u00e7\u00e3o do movimento da cidade.<br>Onofre ocupava um apartamento menor, t\u00e9rreo, onde morava com sua esposa Cenira, com quem era casado h\u00e1 vinte e cinco anos, n\u00e3o tiveram filhos. Tinham uma vida pacata, dividia os turnos com Sandro, mas o per\u00edodo que mais gostavam de ficar na portaria era \u00e0 noite.<br>Quinta, hoje seria o turno da noite a seu cargo, levava consigo o pequeno r\u00e1dio ainda a pilha, que escutava um programa de r\u00e1dio que participava \u00e0s vezes. Sua esposa trazia um lanche especial para que tivesse f\u00f4lego de passar a madrugada acordado.<br>Mas algo diferente aconteceu, uma mo\u00e7a muito nervosa apertou o interfone, pediu desesperada para entrar no pr\u00e9dio, com receio de que fosse algo premeditado. Onofre n\u00e3o quis abrir de imediato a portaria. S\u00f3 que havia algo na voz dela que o fez atender ao seu pedido. Logo deu um copo d&#8217;\u00e1gua e acordou sua esposa Cenira, ela estava toda arranhada e sem a bolsa. Quando se acalmou, come\u00e7ou a contar o que aconteceu:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Estava saindo do bar que vou, minhas amigas foram para outra balada. E quando caminhava duas quadras do meu pr\u00e9dio, que \u00e9 pr\u00f3ximo aqui, tr\u00eas sujeitos me cercaram e pegaram minha bolsa, disseram ser um assalto. Eu ca\u00ed me machuquei, depois corri o mais r\u00e1pido que pude e tive a ideia de apertar aqui no interfone. Agrade\u00e7o muito, voc\u00ea salvou minha vida!<br>Onofre e Dona Cenira ficaram assustados com o relato de Renata, mas felizes de que tudo deu certo e algo bom, no fundo, quando ele quebrou o protocolo do condom\u00ednio. Dias se passaram daquele susto grande para Renata, Seu Onofre nem lembrava mais tanto do ocorrido, dia normal na portaria do pr\u00e9dio, agora seu turno era de dia, entra e sai de moradores, nisso um entregador v\u00eam com uma cesta chique, cheia de doces, algumas bebidas e um pacote bem embrulhado. J\u00e1 de cara, ele pergunta:<\/p>\n\n\n\n<p>&#8211; Qual andar \u00e9 a entrega, meu filho? Para ver se o morador autoriza voc\u00ea a subir!<br>Ele logo responde: &#8211; N\u00e3o, a mo\u00e7a disse que era direto na portaria, isso tudo aqui \u00e9 para um senhor chamado Onofre.<br>Logo ele recebe a entrega, vai ler um cart\u00e3o grande que tinha junto aos presentes:<br>&#8220;Seu Onofre, gratid\u00e3o \u00e9 algo que n\u00e3o se retribui com presentes. N\u00e3o tenho palavras para agradecer o que o Senhor e a Dona Cenira fizeram por mim naquela noite. Apenas uns mimos e n\u00e3o esqueci o jantar que voc\u00eas me convidaram, em seguida apare\u00e7o a\u00ed. Abra\u00e7os, Renata.&#8221;<br>Em meio a tantas coisas, abre o embrulho maior, um r\u00e1dio compacto potente, agora que liga na luz el\u00e9trica. No dia do susto, a guria nervosa derrubou e ele nem fez caso disso.<br>Bom, mais uma ronda na portaria, Sandro chega para cumprir seu turno, cumprimenta Onofre e logo repara: &#8211; De r\u00e1dio novo?<br>Ele responde: &#8211; Isso foi presente daquela menina que ajudei naquela noite, nem esperava. Seis meses se passaram mesa cheia, Cenira fazendo aquele assado que s\u00f3 ela m\u00e3os para isso, isso a campainha toca, abrem a porta, \u00e9 Renata e seu namorado Henrique, trazendo um pudim de sobremesa. Boas conversas, uma amizade constru\u00edda desde aquele apuro que a guria passou.<br>E, por obras do destino, mesmo sem eles programarem nada, dois anos mais tarde vem um jovem casal de moradores ocuparem o terceiro andar. Para alegria de Onofre e de Cenira, agora Renata, casada com Henrique, s\u00e3o seus vizinhos e ele segue como porteiro, agora com gente de casa morando no seu pr\u00e9dio.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Onofre, porteiro h\u00e1 mais de vinte anos, sempre no mesmo pr\u00e9dio, j\u00e1 tinha visto um pouco de tudo acontecer naquele local. 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