{"id":42926,"date":"2025-09-22T15:30:09","date_gmt":"2025-09-22T18:30:09","guid":{"rendered":"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/?p=42926"},"modified":"2025-09-22T15:30:13","modified_gmt":"2025-09-22T18:30:13","slug":"aquele-baile","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/index.php\/2025\/09\/aquele-baile\/","title":{"rendered":"Aquele baile"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"cacap-conteudo\" style=\"float: right;clear: both;\" id=\"cacap-899062309\"><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/netmax_internet\/\" aria-label=\"240821-Netmax\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax.jpg\" alt=\"\"  srcset=\"https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax.jpg 1080w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-300x150.jpg 300w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-1024x513.jpg 1024w, https:\/\/cacapavaonline.net.br\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/240821-Netmax-768x385.jpg 768w\" sizes=\"(max-width: 1080px) 100vw, 1080px\" width=\"800\" height=\"541\"   \/><\/a><\/div><br style=\"clear: both; display: block; float: none;\"\/><p>Quando a lembran\u00e7a \u00e9 boa, o tempo, a dist\u00e2ncia, nada no mundo apaga! Assim era a sensa\u00e7\u00e3o de Isadora. Conheceu Luiz Henrique em um dos poucos bailes que frequentou em sua adolesc\u00eancia. O guri era meio xucro, um verdadeiro bicho do mato. Falava pouco, tinha poucos amigos e trabalhava na lida junto com os pais. S\u00f3 tinha algo que destoava daquela vida mergulhada nas lidas rurais que o guri se transformava quando ia a um baile. Pouco ficava nas rodas de amigos; o neg\u00f3cio dele era tirar uma prenda e dan\u00e7ar pelo sal\u00e3o a noite toda.<br>A vida de Isadora n\u00e3o tinha nada que pudesse se aproximar daquele guri. Vivia a quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia da propriedade dele. Estava planejando parar numa faculdade; seu sonho desde menina era ser agr\u00f4noma e o objetivo era voltar \u00e0 propriedade dos pais e ajudar em tudo. E, junto a ter uma atividade fixa que os estudos lhe proporcionassem, sendo filha \u00fanica, era poss\u00edvel herdeira de quadras de campo, era o que lhe reservava.<br>Certo dia, na semana farroupilha, tradi\u00e7\u00e3o local, a maioria da regi\u00e3o se concentrava nos piquetes, rondas e bailes. Algo diferente aconteceu na vida destes dois. Porque tanto a fam\u00edlia de Isadora quanto a de Luiz Henrique n\u00e3o perdiam uma programa\u00e7\u00e3o, mas, estranhamente, nunca se cruzaram, embora pertencessem \u00e0quela regi\u00e3o.<br>Aquele baile foi diferente; a mesa da fam\u00edlia de Isadora era na outra ponta do sal\u00e3o. A guria j\u00e1 tinha dan\u00e7ado v\u00e1rias m\u00fasicas com o primo Luciano. E depois estava literalmente sentada s\u00f3 vendo os outros se divertirem naquele fandango. E, nisso, embora Isadora n\u00e3o tivesse reparado, ele j\u00e1 tinha cruzado os olhos nela quando rodopiava no sal\u00e3o com a Valquiria, uma guria que estava de namorico, nada muito s\u00e9rio. E, quando viu Isadora, uma guria sorridente, com flor no cabelo fixada numa tran\u00e7a lateral, de vestido bord\u00f4 e mangas brancas, arrematado com um cinto preto em sua cintura. Ele perdeu o rumo at\u00e9 dos passos, a ponto de Valquiria reparar e dar uma bronca bem dada: &#8211; Tu esqueceste como \u00e9 que se dan\u00e7a vaneira! \u00c9 melhor a gente parar um pouco!<br>E foi que se desvencilhou da guria e, no resto do baile, s\u00f3 ficava perto, observando Isadora, com quem ela dan\u00e7ava, conversava e n\u00e3o achava coragem para tirar a guria para dan\u00e7ar. Quase no fim do baile, quando sentiu que a guria e seus pais iam pegar e ir para casa. Se aproximou de mansinho e falou de forma t\u00e3o baixa que nem ela conseguia ouvir direito:<br>\u2014 Ser\u00e1 que a guria me d\u00e1 a honra de dan\u00e7ar esse chamam\u00e9 com este pe\u00e3o?<br>Isadora ficou corada, a m\u00e3e incentivou com os olhos, o pai ficou com a cara meio amarrada, mas era feio desprezar pedidos assim e meio autorizou com a cabe\u00e7a. A guria, meio sem jeito, foi para a pista com aquele total desconhecido. E foram quatro m\u00fasicas seguidas, sem tempo de uma conversa; pareciam que se conheciam a vida toda. Quem os visse, eram namorados de muitos anos. E, quando a guria j\u00e1 estava cansada, pediu para pararem um pouco. Luiz Henrique, mesmo sem jeito, foi logo se apresentando. E, por fim, trocou umas palavras com a guria: \u201cO meu \u00e9 Luiz Henrique, moro a uns tr\u00eas quil\u00f4metros daqui.\u201d Sou filho do Israel e da Maria, temos uma propriedade nesta regi\u00e3o. Tu moras por aqui? Porque nunca te vi nesses bailes. Qual \u00e9 teu nome?<br>Isadora, ainda meio envergonhada, se apresenta, diz que mora mais longe dali, uns dez quil\u00f4metros, que costumava ir aos bailes. Mas havia parado por um tempo. Ele convida-a para mais umas dan\u00e7as; o pai da guria j\u00e1 inquieto, olhando da mesa meio atravessado. Retoma para a mesa, entrega a guria, deixa seu contato e dali ele s\u00f3 observa ela saindo com os pais logo que est\u00e1 para acabar aquele baile.<br>Naquela noite, Luiz Henrique quase n\u00e3o dorme, tenta buscar nas redes sociais mais informa\u00e7\u00f5es de Isadora, v\u00ea que ela foi prenda de um C.T.G. ali pr\u00f3ximo, que participou de algumas atividades na comunidade. Passados mais de quinze dias, nada de mensagem, nenhum contato da guria, irritado consigo que somente deu seu n\u00famero e n\u00e3o pediu o dela, pela cara feia do pai. Resolveu tomar coragem e pedir amizade dela nas redes sociais que pesquisou. A ansiedade s\u00f3 aumentava, um olho no servi\u00e7o e outro no celular, vendo se ela aceitou. Dias se passaram e nada. Mas, como \u00e9 que ele iria \u00e0 propriedade dela? Seria muita afronta. S\u00f3 dan\u00e7aram umas m\u00fasicas naquele baile. J\u00e1 tinha cortado a lenha, uma tarde em que s\u00f3 faltou pendurar literalmente o cachorro na cerca. Ouvi um sinal sonoro e fui olhar: ela aceitou sua amizade no Facebook.<br>Ficaram literalmente longe um do outro por mais de quatro anos; a guria foi fazer sua faculdade de agronomia. Luiz Henrique acompanhava tudo o que ela fazia pelas redes. Desenvolveram uma amizade \u00e0 dist\u00e2ncia. Mas sempre ficou a saudade daquele baile.<br>Bom, encurtando o papo, depois de anos tentando que a guria aceitasse seu pedido de namoro, amansando o candidato a sogro e conquistando a sogra, um dia ele volta \u00e0quele baile, agora definitivamente acompanhado de sua prenda.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quando a lembran\u00e7a \u00e9 boa, o tempo, a dist\u00e2ncia, nada no mundo apaga! Assim era a sensa\u00e7\u00e3o de Isadora. Conheceu Luiz Henrique em um dos poucos bailes que frequentou em sua adolesc\u00eancia. O guri era meio xucro, um verdadeiro bicho do mato. Falava pouco, tinha poucos amigos e trabalhava na lida junto com os pais. 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