Notícia boa não dá ibope, e a imprensa não ganha dinheiro

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Por que as más notícias dominam os noticiários?
Existem várias razões para a imprensa focar em eventos negativos, o viés da negatividade humana, acaba gerando esse tipo de acontecimento, os seres humanos tendem a prestar mais atenção e a reagir mais fortemente a informações negativas do que a positivas. Isso tem raízes evolutivas: detectar ameaças era crucial para a sobrevivência. Notícias de perigo, conflito ou desastre ativam áreas cerebrais relacionadas ao alerta e à emoção, prendendo a atenção mais facilmente. Se pararmos para pensar, dificilmente esquecemos algo ruim que enfrentamos nas nossas vidas, momentos difíceis como acidentes, doenças ou mortes ficam gravadas fortemente nas nossas lembranças.
O que é Notícia?
Tradicionalmente, o conceito de “notícia” está ligado ao que é incomum, disruptivo, dramático ou que foge à normalidade. “Cachorro morde homem” não é notícia; “homem morde cachorro” é tragédia, crimes e catástrofes são eventos que quebram a rotina e, por isso, são considerados mais “noticiáveis” do que a estabilidade ou o progresso gradual.
Audiência e “Ibope”:
Infelizmente, a atenção é uma mercadoria valiosa. Notícias que geram forte emoção (medo, raiva, indignação) tendem a atrair mais audiência, seja em televisão, rádio, jornais ou plataformas digitais. Isso se traduz em mais cliques, mais leitores e, consequentemente, mais receita publicitária.
Simplicidade e urgência
Conflitos e desastres são frequentemente mais fáceis de relatar de forma imediata e impactante. As boas notícias, muitas vezes, envolvem processos mais lentos, desenvolvimentos complexos e menos dramáticos, o que as torna mais difíceis de encaixar no formato de “última hora” ou manchete chocante.
Por que as boas notícias não são pauta?
As boas notícias não são pauta com a mesma frequência por terem menor apelo emocional imediato, elas geralmente não geram o mesmo nível de alarme ou urgência que as más notícias. Percepção de “menos importante”, há uma noção de que noticiar algo que está funcionando bem não é tão “importante” ou “relevante” quanto denunciar o que está errado.
Consequências no psicológico da população
A constante exposição a um fluxo de notícias predominantemente negativas pode ter consequências significativas no bem-estar psicológico e na percepção da realidade das pessoas: como aumento da Ansiedade e Estresse: O “bombardeio” de informações sobre violência, doenças e desastres pode levar a um estado crônico de alerta, aumentando os níveis de ansiedade, estresse e até mesmo transtornos de pânico. As notícias ruins levam a uma visão pessimista do mundo. As pessoas podem desenvolver uma percepção distorcida da realidade, acreditando que o mundo é muito mais perigoso, violento ou corrupto do que realmente é. Isso gera pessimismo, cinismo e desesperança.
Desengajamento social e sensação de impotência. A sensação de que “tudo está ruim” e que não há solução pode levar ao desengajamento cívico, à apatia e a um sentimento de impotência, onde as pessoas sentem que suas ações não podem fazer a diferença.
Em resumo, a imprensa tem a importante função de informar sobre os acontecimentos, mas o foco excessivo nas más notícias como meio de ter mais audiência, pode gerar um custo psicológico e social considerável. Uma balanceada nas notícias, equilibrando fatos negativos com histórias de progresso, resiliência e sucesso, seria benéfica para a saúde mental coletiva e para a construção de uma sociedade mais engajada e esperançosa. Ou a população muda de hábito e não olha esse tipo de noticiário, realidade de muita gente como eu que não assisto mais noticiários seja na televisão ou online.

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