O Grilo Juvenal

Colunistas Geral

Marisa havia passado no vestibular para propaganda e publicidade. Morava no interior com os pais. Se esforçou muito nos estudos. Era a filha mais velha de três irmãs.
E agora tinha que sair do ninho e ir morar longe de casa. Era uma mudança radical para uma moça que desde sua infância estudava e ajudava a família na pequena propriedade da família. Com a bênção dos pais João e Maria Luíza, despedindo-se das irmãs Magda e Melissa, foi morar na cidade.
O local escolhido foi um pequeno apartamento de quatro cômodos: sala, quarto, cozinha e banheiro. Ficava próximo de um pequeno mercado, da farmácia. E uma distância de dez minutos de seu trabalho diário de secretária num escritório de contabilidade.
O emprego foi presente da madrinha Sandra, que era a contadora-chefe e incentivou a afilhada nos estudos, dando-lhe seu primeiro emprego.
Havia toda uma estrutura simples que amparava Marisa nesta nova etapa de sua vida. Acostumada aos mimos da mãe e a dividir o quarto com suas irmãs e a rotina de casa de sua família.
Já fazia três noites que ela não dormia direito. Foi numa quarta-feira à noite que a coisa piorou, havia um grilo no seu quarto. Não sabia ao certo onde ele estava, se era embaixo da cama ou atrás do roupeiro.
E ia para o trabalho e os estudos com noites mal dormidas. Com o passar do tempo e vivendo sozinha, começou a conversar à noite com o grilo. Dar boa noite, falar sobre seu dia, dizer seus desafios. E, conforme conversava, parecia que o grilo a respondia. Até estava obedecendo Marisa quando esta dizia que tinha de dormir para trabalhar e estudar no outro dia.
Passou o tempo, o Grilo ganhou nome, era o Juvenal. Os pais e as irmãs vieram visitá-la. Quando souberam, queriam eliminá-lo dali e a Marisa decretou: – O Juvenal é meu amigo e nele ninguém toca!
Foi assim que Marisa construiu seu caminho, saindo de casa e suprindo o início da falta da família com o alento dessa amizade com esse grilo. E, por fim, levou o tempo e Juvenal foi embora. A amiga sentiu sua falta, mas entendeu também que ele tinha que seguir seu caminho!

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