Caçapava do Sul celebra os 25 anos do Tambor de Sopapo com o Festival Afro-Cultural Aralayo

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Caçapava do Sul, RS – O município se prepara para viver um dos momentos mais simbólicos e potentes de sua história cultural. Entre os dias 22 e 24 de agosto de 2025, acontece o Festival Afro-Cultural Aralayo, realizado pelo Grupo de Dança e Cultura Afro-Brasileira Clara Nunes, referência há 36 anos na preservação da cultura negra no estado. Nesta edição, o festival homenageia os 25 anos da presença do Tambor de Sopapo em Caçapava do Sul, reconhecendo-o como elo ancestral da negritude e símbolo da cultura afro-gaúcha.

A proposta é reunir expressões artísticas como dança, teatro, capoeira, percussão, contação de histórias, interpretação de poemas e oficinas culturais, com atividades gratuitas e abertas à comunidade, realizadas no Clube Recreativo Harmonia e em espaços públicos da cidade.

Tambor como centro: memória e mobilização

O Tambor de Sopapo será o grande símbolo desta edição, em reconhecimento à sua força espiritual, sua presença nas manifestações afro-gaúchas e seu papel como som da liberdade que ressoa desde o território do Pampa. Em Caçapava, ele chegou pelas mãos de mestres como Giba Giba, José Batista e Francisco Acidemar Nunes (Tio Cida), e passou a integrar a vida cultural da cidade como instrumento de luta, identidade e acolhimento.

– O sopapo tem uma força sagrada. Ele agrega pessoas, histórias, músicas, danças. Sua energia conduz. É um chamado para que toda a comunidade se conecte e se mobilize em torno da arte negra – afirma emocionada Cátia Cilene Morais Dutra, coordenadora de produção artística do Festival e integrante da primeira geração do Grupo Clara Nunes.

Cultura negra como pulsação da cidade

Mesmo estando entre os 10 municípios mais negros do RS, ocupando o 8º lugar da lista, segundo dados do IBGE (Censo 2022), Caçapava do Sul ainda é marcada pela exclusão simbólica da população negra de seus palcos centrais e festas tradicionais. O Aralayo nasce como um contraponto a essa invisibilidade, promovendo acesso, pertencimento e representatividade.

Um festival que deixa legado

Durante o festival, será lançada uma moção pública propondo a construção de um Monumento ao Tambor de Sopapo, como reconhecimento da importância histórica, espiritual e simbólica desse instrumento como herança da civilização negra no Rio Grande do Sul.

O Festival Aralayo também marca o retorno presencial do projeto, cuja primeira edição ocorreu em formato virtual em 2021 — uma resposta à invisibilização dos artistas negros em meio à pandemia e à ausência de espaços democráticos para a arte afro-brasileira.

Texto: Luiz Felipe de Oliveira/Ascom Festival Afro-Cultural Aralayo

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