A Fogueira das Vaidades

Colunistas

O local era um ambiente leve, o serviço fluía bem, mas algo começou a dar errado por causa das desavenças constantes de Gustavo e Manoel. Gustavo era um perfeccionista incurável. No seu trabalho, para ele, era o melhor de todos os seus colegas que trabalhavam ali, o que não era verdade. Já Manoel, mais experiente, só queria fazer sua parte e não se envolver nos problemas que iam além das obrigações naquela empresa.
O clima pesava num nível quase insuportável quando os dois se encontravam e era um campo de batalha, e só tinha uns que tentavam apaziguar os embates entre os colegas.
Havia na empresa, que era de propaganda e publicidade, um planejamento de uma campanha outono/inverno. Onde uma marca muito conhecida queria que fossem feitos anúncios, mas nada de forma convencional, ele queria inovar e trazer impacto para melhorar suas vendas, que estavam muito prejudicadas frente à concorrência desleal que estavam enfrentando com as vendas online. Foi o chefe de criação da empresa de publicidade e propaganda, Pedro, que deu a missão. E, dividiu-se em duas equipes, sendo uma comandada por Gustavo e outra a cargo de Manoel. O desafio teria uma recompensa bem interessante: a equipe que convencesse e fizesse o melhor anúncio teria uma comissão maior.
Chegou o dia de apresentar as propostas ao cliente e ambas adotaram enfoques diferentes. As ideias eram bastante interessantes, mas o cliente acabou trazendo um desafio maior e isso falou separado ao chefe Pedro:
— Olha, tem uma parte da primeira equipe que gostei muito quanto à apresentação da nossa marca, mas a proposta da segunda faz referência às vendas é mais adequada. Dá um jeito e reúne as duas ideias. Depois retorno se aprovo a conta ficar com vocês aqui da agência.
O tempo para finalizar aquela campanha era de quinze dias para trazerem algo em conjunto e convencerem o cliente de que era o local ideal para alavancar suas vendas e a marca. Aquela redação se tornou uma fogueira de vaidades e não se trabalhava mais direito, e o resultado final, no dia da apresentação, foi que Gustavo e Manoel não se integraram, e o desastre foi o resultado final.
Conta perdida, o chefe indignado, os dois cada vez mais sem sintonia. Com o passar do tempo Gustavo mudou de empresa e segue tendo problemas com outros colegas. Já Manoel continua no mesmo lugar, mas não consegue trabalhar com os novos colegas que chegam ali.
O mais sensato foi dito pelo porteiro da agência, Seu João, num dia em que eles relembraram o fato e vendo a tristeza estampada na cara do chefe Pedro que como puderam perder uma conta daquelas: — Nem tudo na vida se resolve quando a vaidade é maior que o senso e comprometimento no trabalho. O senhor fez o melhor que podia! Ali não tem jeito, não.
O chefe de criação só concordou porque tinha coisas que iam além do que poderia gerir e dentre estas estava a vaidade!

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