Da pujança a pobreza
O Rio Grande do Sul já foi referência no Brasil. Liderávamos em educação, segurança e indicadores econômicos. Éramos o estado que outros olhavam como exemplo. Essa fase ficou para trás. A realidade hoje é outra: nossa participação no PIB nacional caiu de 8% nos anos 1990 para pouco mais de 6% atualmente. Perdemos empresas, talentos e relevância. Santa Catarina — que recebeu mais de 134 mil gaúchos nos últimos anos — cresce enquanto encolhemos. O que aconteceu?
As causas são conhecidas.
A tributação estadual é uma das mais pesadas e complexas do país, com um ICMS que empurra empresas para além da divisa. A infraestrutura rodoviária está em nível crítico — a Pesquisa CNT 2025 confirma o que qualquer caminhoneiro sabe na pele. Falta mão de obra qualificada: 27% das indústrias gaúchas relatam dificuldade para contratar. E a educação, que já foi nosso orgulho, estacionou — enquanto estados como o Ceará avançam, o RS patina. Para piorar tivemos as enchentes de 2024 que foram o golpe final sobre um estado que já vinha frágil. Mas os problemas estruturais são anteriores e, se não forem enfrentados, se repetirão.
Falta de mão de obra qualificada
Dados da Federação das Indústrias do Estado (Fiergs) apontam que, no terceiro trimestre de 2024, 27% dos empresários industriais gaúchos relataram dificuldades com a falta de mão de obra qualificada. A Fecomércio-RS confirma que a escassez no comércio atingiu o maior nível dos últimos cinco anos.
O paradoxo é cruel: temos desemprego, mas faltam profissionais preparados. A desconexão entre o sistema educacional e as demandas do mercado de trabalho é antiga e não foi resolvida. Investimentos em ensino técnico e profissionalizante, quando existem, chegam atrasados e em escala insuficiente. Outra razão é que fomos perdendo a nossa mão de obra para outros estados e até fora do país.
O caminho de volta existe
Sim, mas exige coragem: reformar o sistema tributário estadual para atrair em vez de repelir empresas; investir em educação técnica conectada ao mercado; enfrentar a infraestrutura com um plano decenal que não dependa de partidos; e preparar o estado para eventos climáticos cada vez mais frequentes. Lutar contra entraves legais como a Lei de Faixa de Fronteira, que abrange 60% do território estadual, servindo como inibidor e proibidor do desenvolvimento econômico, gerando um bolsão de pobreza nessa faixa.
O Rio Grande do Sul não precisa se reinventar
Precisa, isso sim, recuperar o que sempre foi: um estado que competia com os melhores, que formava os melhores profissionais, que tinha uma economia vibrante e uma infraestrutura à altura das suas ambições. O declínio não foi obra do acaso nem de um único governo. Foi construído ao longo de décadas de decisões erradas, omissões e falta de visão de longo prazo. Mas a reversão também é possível — e ela começa quando admitimos, sem meias palavras, onde erramos e o que precisa mudar. Não faltam recursos ao Rio Grande do Sul. Falta, talvez, a coragem de fazer o que precisa ser feito, menos promessa mais ação, sempre baseada em estudos de viabilidade, pensando no futuro que queremos ao nosso estado. Se o governo fosse mais técnico e menos político teríamos uma revolução positiva no RGS em pouco tempo, o grande problema é querer agradar pequenos grupos, ceder ao corporativismo público, tomar decisões políticas no lugar de técnicas, querer agradar a todos pensando na próxima eleição.


