Labirinto Digital

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José dominava em todos os sentidos as ferramentas digitais. Desde cedo perguntavam a ele qual era o caminho profissional que gostaria de seguir e logo ele respondia: tudo que fosse aliado à computação. Tornou-se um dos melhores programadores de IA. Sua mente era voltada a sempre estar em constantes atualizações e trabalhando excessivamente para desenvolver sempre novos formatos e avanços nessa área.
Denominava que trabalhava dentro de um labirinto digital e sua família tinha pouco de sua presença. E isso estava refletindo na criação dos dois filhos do casal: Joaquim e Vitória. A mulher dele, Franciele, já estava cansada das ausências do marido, que só ficava enfurnado em reuniões e planejamentos com seu grupo de funcionários. Isso gerou discussões recorrentes em casa e no fundo estavam vivendo somente uma vida social familiar.
Chegou a um ponto em que, no aniversário de quinze anos da filha, ele chegou atrasado à festa. Teve que o tio Gilberto dançar a valsa com a menina. E isso foi a gota d’água para Franciele solicitar uma conversa séria e definitivamente se separar e tomar algumas decisões acerca dos filhos.
Foi um baque para José, que teve de mudar da casa dos dois para um apartamento menor, vivendo sem a atenção da esposa e a presença dos filhos. Mas, só assim começou sua ficha a cair de que somente o trabalho e sua vida mergulhada nos compromissos não estavam mais fazendo sentido.
Passou o tempo, Franciele não aceitou as tentativas de volta de José, porque sabia que ele não mudaria o formato de levar a sua vida. Ele daria prioridade sempre ao trabalho e a família ficaria em segundo plano. E ela reatou um namoro que teve na adolescência com Sérgio.
Numa de suas palestras de sua corporação, ele apresentou seus últimos planos e alterações no planejamento de uma programação de IA. O tema era o Labirinto Digital, do fascínio de ter tempo para tudo que quisesse se utilizasse mais a IA.
Mas, como o destino sempre dá um jeito de colocar o ser humano frente a frente com seus maiores desafios, José teve uma questão lida e escolhida para ser respondida pelos presentes que fez a voz, daquele homem destemido e superinteligente, embargar e quase, por fim, perder a fala. Era algo neste sentido: Um programador de IA que desenvolve programas teria tempo para sua família ou seria mais fácil ficar preso nesse labirinto digital e perder o caminho de casa? Será que a IA consegue resolver esse dilema? Assinado, Vitória.
Ele, com muita dificuldade, respondeu: — Se pudesse voltar o tempo atrás, priorizaria mais minha família. Realmente, quem fez essa questão tocou num dos pontos que faria totalmente diferente. E encerrou a palestra, esperando ansiosamente que visse a filha no meio daquela multidão. Quando foi almoçar, uma bandeja se posicionou ao seu lado: era sua Vitória. Daí os dois tiveram muito tempo de conversa juntos.
O tempo passou, o filho Joaquim seguiu outro caminho, era um ótimo veterinário, e o pai tentava ajudar a modernizar e dar assistência em tudo na sua clínica veterinária. A filha Vitória se incorporou junto à sua empresa e, assim, os laços se estreitaram. Colocou uma meta mensal, da qual não abria mais mão: um encontro presencial só dele e os filhos. O que quisessem fazer do seu tempo era sua prioridade, assim como nas mensagens e ligações. Nada mais que o labirinto digital que vivia supriria esta realidade que era sua família!

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