O vírus da omissão

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De quem é a responsabilidade?

Ficar esperando que outros façam o que é nossa responsabilidade é sem dúvida um dos maiores problemas nas organizações. Nas organizações públicas, a burocracia muitas vezes serve de escudo para a inércia. Nas privadas, a pressa e a falta de processos estruturados geram o mesmo efeito. O problema central é o mesmo: a zona cinzenta entre as competências. Quando um problema surge e não há um nome vinculado à sua solução, o custo recai sobre a eficiência, o clima organizacional e, inevitavelmente, sobre o bolso do contribuinte ou do acionista, ou seja, alguém paga essa conta, que muitas vezes também sobra para o cliente.  

O Perigo da responsabilidade sem dono na gestão

No ecossistema das organizações, existe um personagem invisível, porém onipresente, chamado “Alguém”. É para ele que delegamos as tarefas que não queremos assumir e dele que esperamos a solução para problemas que não têm dono. O resultado dessa dinâmica é um dos maiores gargalos da produtividade moderna: a diluição da responsabilidade. Quando “alguém” deve fazer algo, a probabilidade é que ninguém o faça. No processo de gestão, a ausência de um responsável nominal não é apenas uma falha administrativa; é um convite ao desempenho negativo. Seja em empresas privadas ou em órgãos públicos, a falta de clareza sobre o comando transforma missões estratégicas em tarefas órfãs.

O Caminho para a eficiência: Soluções Práticas

Para reverter esse cenário e garantir que a gestão seja, de fato, eficiente, é preciso implementar mecanismos de clareza funcional. Aqui estão três caminhos determinantes:

1. A Matriz de Responsabilidade (RACI): Uma ferramenta simples e poderosa. Para cada atividade, deve-se determinar quem é o Responsável (quem faz), o Aprovador (quem responde pelo sucesso), o Consultado (quem ajuda) e o Informado (quem precisa saber). Se houver mais de um aprovador, o processo trava; se não houver nenhum, ele morre.

2. Definição Objetiva de Funções: Descrições de cargo não podem ser peças de ficção. Elas precisam ser dinâmicas e apontar claramente quais decisões pertencem a quem. O comando deve ser inequivocamente atribuído.

3. Cultura de Accountability (assumir resultados): Gestão eficiente exige que as pessoas “chamem para si” a responsabilidade. Isso só acontece quando o erro é tratado como aprendizado e o acerto é reconhecido. Quando o líder é o primeiro a assumir seus problemas, a equipe para de esperar pelo “alguém”

Conclusão: Determinar quem deve fazer o quê não é um ato de autoritarismo, mas de respeito ao processo e às pessoas. A eficiência na gestão nasce no momento em que a pergunta “de quem é o problema?” encontra uma resposta imediata e nominal. Sem dono, o problema vira crise. Com responsabilidade, vira solução.

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